Archive for the ‘ Terra a vista ’ Category

Osama in a box

Osama morreu. Invadiram a mansão do cara e o mataram a queima roupa. Dizem que não sobrou nada. Virou comida de tubarão, sereia, Iemanjá. Mas diferente do que todos pensam, ele não está no fundo do mar. Ele vive em uma caixa. Ou morre dentro dela. Ninguém sabe. Se ele morreu, ninguém tem provas.

O que permanece é o “se”. Essa partícula apassivadora, que também indetermina o sujeito, é quem tem mantido o sujeito mais indeterminado vivo. Sem provas, sem bisbilhotar dentro da caixa, Osama ainda respira. Assim como o gato de Schrödinger. Vivo e morto ao mesmo tempo.

Somente quando a dúvida se vai, quando abrimos a caixa e checamos se o coração do gato ainda pulsa, é que o matamos. Até lá, Osama e o gato estão mais vivos do que todos nós. Eles estão nas nossas lembranças, nas nossas dúvidas, nas nossas inseguranças.

E como sabemos, todo mundo tem um quê de São Tomé. A gente precisa ver, tocar, ouvir e, às vezes, só com tudo autenticado em cartório em três vias para poder começar a acreditar.

Até que a caixa seja aberta, continuem as buscas, soltem os cães farejadores. Osama vive dentro de uma caixa. E isso ninguém pode negar.

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Obama é o novo Hitler?

Yes we canHoje eu vi duas palestras. Uma sobre propaganda nazista e outra sobre publicidade na Web. A primeira falou muito sobre a importância que a propaganda teve na formação do regime nazista. A segunda usou como exemplo a campanha de Obama para falar sobre a capacidade da internet de atingir e mover milhões de pessoas. Os dois casos já fazem parte do nosso cotidiano, mas o que me ocorreu hoje nunca antes tinha reparado. Será Obama o novo Hitler?

Claro que não me refiro às atrocidades, crenças racistas ou qualquer julgamento sobre a questão nazista. Falo sobre a conquista e a motivação a partir da propaganda. Tanto Hitler quanto Obama encontraram nações cansadas, abatidas e loucas por mudanças drásticas na forma como estavam vivendo. Os alemães por causa da 1ª guerra, os americanos por causa do Bush.

Ambos fizeram uso de sentimentos já existentes entre a população para surgirem como única alternativa de mudança. E o mais engraçado é que esses sentimentos se repetem. Seus respectivos povos entraram de cabeça na ideia de revolução e eram capazes de tudo para consegui-la. O argumento de uma nova vida é tão convincente que o vemos repetidas vezes, mas em vozes diferentes.

A ascensão dos dois era praticamente impossível e até hoje inacreditável. Ela somente aconteceu graças a um profundo conhecimento do público alvo, do canal utilizado e da mensagem a ser passada. A união desses três elementos fez desses dois pangarés uma zebra praticamente imprevisível. E nos mostra que fazemos muito mais do que vender produtos ou serviços, nós movemos pessoas.