A culpa não é nossa.

A culpa não é nossa. A gente nunca erra. Se aconteceu, tem que ter uma explicação. Algo maior do que nós. Algum motivo, alguma força superior, algum destino. O que será que isso deve significar? Não passar no vestibular é uma chance dada pelos Deuses para repensarmos nossa escolha. Se a colheita não vingou a culpa é da falta de sacrifícios. A promoção não veio porque você olhou para a mulher do seu chefe.

Justificativas é que não faltam. Engana-se quem acredita que no passado elas eram mais exacerbadas. É verdade que fazer sacrifícios e fazer tudo o que os oráculos pediam pode parecer insano se visto pelos olhos da modernidade. Antes, se algo dava errado, a culpa era da ira dos Deuses. Eles não fizeram o seu papel, não nos inspiraram o suficiente. Deveríamos nos prostar e implorar por suas bênçãos.

 Hoje, a coisa não está muito diferente. A ciência evoluiu, as teorias se multiplicaram, mas nada explica a necessidade humana de encontrar sempre um bode expiatório. Somos incapazes de assumir nossos defeitos. Vivemos na era da puta falta de sacanagem. Talvez seja uma característica da evolução. Imagina se todo dia ao olharmos no espelho, víssemos quem realmente somos? Alguém conseguiria suportar tamanha realidade? Nos frágeis momentos em que saímos das fantasias em que vivemos, ficamos sem chão, nos sentimos tão fracos, percebemos que somos como os que apontamos no meio da rua. A culpa não é nossa, somos apenas humanos.

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