Osama in a box

Osama morreu. Invadiram a mansão do cara e o mataram a queima roupa. Dizem que não sobrou nada. Virou comida de tubarão, sereia, Iemanjá. Mas diferente do que todos pensam, ele não está no fundo do mar. Ele vive em uma caixa. Ou morre dentro dela. Ninguém sabe. Se ele morreu, ninguém tem provas.

O que permanece é o “se”. Essa partícula apassivadora, que também indetermina o sujeito, é quem tem mantido o sujeito mais indeterminado vivo. Sem provas, sem bisbilhotar dentro da caixa, Osama ainda respira. Assim como o gato de Schrödinger. Vivo e morto ao mesmo tempo.

Somente quando a dúvida se vai, quando abrimos a caixa e checamos se o coração do gato ainda pulsa, é que o matamos. Até lá, Osama e o gato estão mais vivos do que todos nós. Eles estão nas nossas lembranças, nas nossas dúvidas, nas nossas inseguranças.

E como sabemos, todo mundo tem um quê de São Tomé. A gente precisa ver, tocar, ouvir e, às vezes, só com tudo autenticado em cartório em três vias para poder começar a acreditar.

Até que a caixa seja aberta, continuem as buscas, soltem os cães farejadores. Osama vive dentro de uma caixa. E isso ninguém pode negar.

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