Archive for May, 2011

Brasão moderno

Base. Encheção. Tudo. Discussão. Carinho.  Família. Cada um pode chamar de um jeito, mas todos temos uma. Seja formada por laços sanguíneos ou de carinho, vivemos em bando, procuramos uns aos outros, apoioamo-nos uns nos outros.

Mesmo com todos esses lugares comuns, família era algo datado. Uma instituição falida e sem propósito no mundo moderno. Uma época em que o número de divórcios quase superava o de casamentos. É, família está com os dias contados.

Pelo menos estava. Nas ruas, a cada parada em um semáforo, provas e mais provas de que o discurso pós-moderno está errado aparecem nas traseiras dos carros. Até periquito, cachorro e papagaio são estampados como símbolos de uma família feliz, unida e orgulhosa de si mesma.

Se atualmente as famílias não possuem mais seus orgulhosos escudos, dizer para o mundo que se tem dois filhos e uma esposa é a forma encontrada para se auto-afirmar o sobrenome. As famílias voltaram, e com força total. Cool é quem tem mais filho, pois isso significa mais bonequinhos para ostentar.

Hoje, uma decisão inédita deu aos homossexuais o direito de se casarem legalmente. O que significa mais adesivos nos carros. Quer orgulho mais defendido (com razão) do que o dos gays?

Pode ser uma onda, modinha passageira, quem sabe na próxima estação, as famílias voltem para o armário. Mas por enquanto, aproveite essa fase. Curta os seus, desfrute cada momento, não perca tempo. Afinal, você já abraçou um parente hoje?

Osama in a box

Osama morreu. Invadiram a mansão do cara e o mataram a queima roupa. Dizem que não sobrou nada. Virou comida de tubarão, sereia, Iemanjá. Mas diferente do que todos pensam, ele não está no fundo do mar. Ele vive em uma caixa. Ou morre dentro dela. Ninguém sabe. Se ele morreu, ninguém tem provas.

O que permanece é o “se”. Essa partícula apassivadora, que também indetermina o sujeito, é quem tem mantido o sujeito mais indeterminado vivo. Sem provas, sem bisbilhotar dentro da caixa, Osama ainda respira. Assim como o gato de Schrödinger. Vivo e morto ao mesmo tempo.

Somente quando a dúvida se vai, quando abrimos a caixa e checamos se o coração do gato ainda pulsa, é que o matamos. Até lá, Osama e o gato estão mais vivos do que todos nós. Eles estão nas nossas lembranças, nas nossas dúvidas, nas nossas inseguranças.

E como sabemos, todo mundo tem um quê de São Tomé. A gente precisa ver, tocar, ouvir e, às vezes, só com tudo autenticado em cartório em três vias para poder começar a acreditar.

Até que a caixa seja aberta, continuem as buscas, soltem os cães farejadores. Osama vive dentro de uma caixa. E isso ninguém pode negar.