Olhe para o lado.

[Discurso Orador – Colação de Grau 2/2010]

O meu discurso ideal não começaria assim. Ele não seria marcado por tristeza ou comoção. Hoje é um dia de festa, mesmo que daquelas saudosas. O meu discurso começaria diferente, se não fosse a chuva de ontem. A UnB que tivemos por 4 anos ruía na nossa frente. Espaços alagados, paredes levadas, imagens de arrepiar. Mas mesmo com todos os danos, a UnB não para. Porque não são os aparelhos, as paredes ou os laboratórios que nos movem. É o amor pelo conhecimento, a vontade de crescer e a dedicação de cada aluno, cada professor e cada funcionário. O meu discurso ideal não começaria assim, mas ele precisa começar assim. Antes de prosseguir, eu queria pedir uma salva de palmas à universidade que nós fizemos e que nos fez chegar até aqui.

Depois disso, eu queria pedir algo pra vocês. Olhe para o seu lado. É, só olhe para o lado. O que você vê? A gente passa tanto tempo olhando para trás, lembrando do passado, ou olhando para frente, tentando adivinhar o futuro. Mas olhe para o seu lado só pra variar. Me diz, você consegue ver? Vê os sonhos, os desejos? Os problemas, as vitórias? As qualidades e os defeitos? Você consegue ver além do que se vê? Foi com essas pessoas que passamos quatro anos das nossas vidas. Mudamos, crescemos, nos conhecemos. Mas pra que? Qual o propósito de passar por tudo isso? Estudar, virar noite, fazer fichamento, pintar pontinhos e pintinhos, decupar matéria, procurar cenário. Pra que serve apurar notícia, escrever roteiro, aprovar uma peça? Nosso diploma não garante emprego nenhum. Pra que? Para aprender a olhar para o lado. Dos meus quatro anos de UnB, essa foi a maior lição que eu aprendi.

Conhecer pessoas maravilhosas, mergulhar e descobrir cada pedaço delas. Dividir momentos e encontrar denominadores comuns. Rir, gargalhar, prender o riso e gargalhar de novo. Chorar, gritar, pedir perdão e sair correndo. Abraçar, consolar, apoiar em qualquer situação. Entender que estar na Universidade é mais que conviver com pessoas, mas vive-las, intensamente. Compreender o outro vai além de gostar ou concordar, mas sim aceitar. Nesses quatro anos, nos aceitamos, nos vivemos e tenho certeza, não nos arrependemos de nada.

Eu podia dizer que nunca vamos nos esquecer, que nossa amizade é para sempre ou que essa foi a melhor época das nossas vidas. Mas olhe para o lado. Será que precisa dizer? Em cada um, você encontra uma história, uma trombada no corredor, uma aula na ala sul, uma ida ao Ceubinho.

Cada um aqui viveu e experimentou uma UnB diferente. Essa é a beleza da nossa Universidade. A gente se descobre nesses corredores, se vê independente, lutando para ser um profissional enquanto ainda aprendemos a sair das asas dos nossos pais. A UnB é realidade. Quem diz que aqui a gente só vê teoria esquece que ela é prática em cada conversa com um professor, em cada desafio superado, em cada projeto realizado. Perdemos as contas de quantos seminários, trabalhos e até provas realizamos. Mas de todos eles, o que fica é a experiência de ter dividido o mesmo espaço com todas essas pessoas e, claro, com esses grandes mestres. Respeitados não só pelo que já fizeram em suas carreiras, mas pelo que nos fazem fazer com as nossas. Vocês foram inspiração em diversos momentos. Agora, é hora de agradecer por tudo. Com vocês, sentimos frustração, satisfação, mas acima de tudo, orgulho. Sentimento que expressa o dever cumprido. Não com o cliente, não com o produto, mas com nós mesmos. Estamos todos aqui para o nosso crescimento. Trabalhamos, estudamos e aprendemos para voarmos mais alto. E com a ajuda de um amigo é muito mais fácil.

Com certeza, vocês devem lembrar de momentos marcantes, momentos que nós e os professores jamais esqueceremos. Essa é a beleza da vida. É viver para recordar. É viver para criar novas histórias. Algo extremamente importante para nós, comunicadores. Hoje, chega ao fim uma das histórias mais bonitas que vivemos. A melhor época das nossas vidas, alguns insistem em dizer. É hora de olhar para a frente, mirar num horizonte que parece longe, mas que chega rápido, como num piscar de olhos.

Ontem mesmo estávamos entrando nesse campus pela primeira vez. Hoje saímos, com uma única preocupação. Olhar mais pro lado. Afinal, olha só o que a gente podia ter perdido se não tivesse feito isso. Muito obrigado.

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